Terça-Feira, 20 de Agosto de 2019

Mato Grosso

Terça-Feira, 16 de Julho de 2019, 18h:26

GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

Coronel Lesco diz que promotor determinou escutas nas operações Imperador, Metástase, Aprendiz e Arqueiro

Coronel confirma que Pedro Taques e Paulo Taques foram mandantes do esquema de escutas ilegais em MT

Da Redação

Reprodução

Coronel PM Evandro Alexandre Ferraz Lesco

Começa o reinterrogatório do coronel Evandro Alexandre Ferraz Lesco, ex-secretário da Casa Militar, em audiência na 11ª Vara Criminal de Cuiabá, especializada em Crimes Militares. O depoimento ocorre no âmbito da ação penal relacionada à “Grampolândia Pantaneira”.

O Coroel Lesco inicia relatando que tentou firmar delação premiada inicialmente junto a PJC, quando os delegados Flávio Stringuetta e Ana Cristina Feldner estavam responsáveis pelo inquérito, mas não foi adiante. Em seguida tentou via MPF, onde assinou outro termo de confidencialidade.

"Depois disso, procurei me socorrer mais no instituto da colaboração premiada junto ao Ministério Público Estado e ao Naco. Hoje, quero externar tudo aquilo que foi submetido à apreciação do MPE e para minha surpresa desconsiderou. Não farei reserva mental alguma. Vou citar fatos ilíticos e apontarei elementos de provas e documentos que possuo e já foram submetidos ao Ministério Publico Estadual. Me sinto obrigado a pedir desculpa a minha família, Polícia Militar de Mato Grosso, gloriosa instituição, desculpa, Ministério Público Estadual, desculpa à imprensa que vem se empenhando em apresentar os fatos à sociedade. Quero pedir desculpas à OAB e ao Poder Judiciário. Tive o atrevimento de tentar obstruir a Justiça tentando captar áudios do desembargador Orlando Perri", disse entre choro o coronel lesco para o juiz Marcos Faleiros.

Lesco menciona as placas usadas para fazer as escutas e o envolvimento do cabo Torezzan, que trabalhava no Gaeco e sugere que apresente o nome do cabo ao coronel Zaqueu. Afirma que fez três orçamentos para montar a central de escutas clandestina e recebeu R$ 40 mil de Paulo Taques [primo do então candidato a governador Pedro Taques] para comprar equipamentos. Confirma que os primeiros nomes grampeados foram passados por Paulo Taques, dentre eles do jornalista Muvuca e pessoas vinculadas ao comitê político de adversários.

O coronel Lesco afirma que foi procurado por Zaqueu em agosto de 2014, quando atuava como diretor de inteligência do Gaeco, que determinou que deveria integrar o Núcleo de Inteligência da Polícia Militar para interceptação. "Isso foi direcionando a ele pelo Paulo e Pedro Taques que queriam grampear os seus adversários políticos”, acrescentou.

O interrogado confirma as declarações prestadas mais cedo pelo coronel Zaqueu.

Ele menciona que houve uma segunda lista que tinha o nome de um servidor ligado ao então vice-governador Carlos Fávaro.  

“Ainda houve outras demandas, mas com relação a inserção de novos números. Nos novos números estava um servidor que foi interceptado com o objetivo de monitorar as ações do vice-governador. Esse servidor estava ligado ao Fávaro”. 

"Paulo Taques disse que houve determinação do governador Pedro Taques para grampear o vice-governador Carlos Fávaro"

O promotor Vinícius Gahyva tem interrompido as declarações do coronel Lesco, o que tem deixado o clima tenso na audiência.  "Isso aqui está virando uma instância de fofoca", disse o promotor Ghayva quando Lesco mencionou que um empresário que mantinha contratos com a Assembleia Legislativa foi alvo de barriga de aluguel, que resultaram na prisão de José Riva em fevereiro de 2015, alvo da Operação Imperador . 

O prossegue com seu depoimento relatando detalhes dos momentos críticos após a descoberta do esquema de grampos. Cita o nervosismo do governador Pedro Taques, que convocou-o para saber o que estava acontecendo em seu gabinete. Lesco revela que foi procurado por dois oficiais da PM, entre eles o coronel Mendes. Eles avisaram que haveria uma operação com mandado de busca e apreensão na Casa Militar. Ao tomar conhecimento disso, o governador Pedro Taques, que estava acompanhando do coronel da PM Airton Siqueira e do chefe da Casa Civil José Adolpho, mandou  escrever um ofício ao presidente do TJ informando sobre o vazamento da operação que teria como alvo secretários de Estado. 

 O Paulo Taques se intitulava emissário do Pedro Taques

O Lesco coronel narra também que membros do Ministério Público Estadual teriam grampeado outras pessoas ligadas ao ex-deputado José Geraldo Riva para interceptá-lo o parlamentar "de maneira transversal".

Evandro lesco revela que o ex-vereador João Emanuel Moreira Lima, também foi grampeado em 2014, para investigar denúncias de direcionamento de licitações que ele pretendia colocar em prática no Legislativo Cuiabano. Ele foi alvo da Operação Aprendiz. Segundo Lesco, tudo foi os nomes dos interceptados foram determinados pelo promotor Marco Aurélio de Castro. de forma semelhante ocorreu na  Operação Metástase, "o doutor Marco Aurélio autoriza, e o cabo Corrêa colocar o telefone dela [janaina Riva] com o codinome de "Janair; e na Operação Arqueiro.: "Naquela ocasião o doutor Marco Aurélio me determina coordenar junto com os policiais militares que a secretária Roseli Barbosa não deveria fazer parte formalmente da investigação. Já era a metodologia do grupo. Apesar de os telefones serem dela, ela não deveria ser colocada formalmente, deveria ser feita a investigação de forma transversal."

 Verba secreta no Gaeco

Evandro Lesco confirma a existência de uma verba secreta no Gaeco e diz que foi procurado por uma servidora do MPE em 2015, quando já estava na Casa Militar, por ordem do promotor Marco Aurélio de Castro, que pediu que assinasse uma prestação de contas da época em que ele estava no Gaeco. O coronel disse que assinou o documento, mas ficou preocupado. Ele recorda que posteriormente houve desentendimento entre membros do MPE sobre uso da verba.

O coronel Lesco encerra o depoimento reafirmando que Paulo Taques e seu primo Pedro Taques eram os cérebros do esquema de escutas na modalidade 'barriga de aluguel': "O Paulo Taques se intitulava emissário do Pedro Taques"

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